Vida: Ensaiando um retorno.

Não é a primeira vez que eu venho aqui escrever e dizer que pretendo voltar a postar em breve.

O Ap21G não morreu. A vontade de compartilhar inspirações e o meu dia a dia continua aqui. Mas se as coisas já estavam meio tumultuadas no primeiro semestre do mestrado no ano passado, no segundo semestre eu tive que abrir mão de tentar ter uma vida “normal” pra sobreviver.

Meu avô paterno morreu no comecinho de agosto. Queria ter feito um post sobre isso. Podia ter escrito um monte sobre todos os sentimentos envolvidos. Até aquela quinta-feira de manhã, na qual eu fui dormir com as malas prontas (porque eu já ia pra Brusque naquele dia mesmo) e acordei com várias chamadas não atendidas no meu celular (que ficou no outro quarto carregando) pra descobrir na sequência, vendo posts no Facebook, o que tinha acontecido na madrugada, eu nunca tinha perdido alguém tão próximo. Durante muitos anos da minha infância e até o início da adolescência, meu avó sempre foi muito presente, buscando e levando a gente na escola quando meus pais precisavam, e pra passear nos parques da cidade. Quando mudei pra Londrina anos atrás, ele estava começando a adoecer mas meus pais deram um jeito de levar ele (e a minha vó) até lá pra me fazer uma visita, talvez a última viagem mais longa que ele fez nos últimos anos de vida. Lembro daquele domingo no qual ele ficou encantando com um restaurante mineiro que tinha perto da JK com a Higienópolis onde almoçamos.

Foram quatro dias intensos e meio aéreos, até minha volta pro mundo real curitibano. No comecinho de setembro resolvemos adotar outro gato pra fazer companhia pro Leopoldo e a catsitter que cuidou dele nesses dias nos apresentou o Teodoro. Ele chegou aqui em casa meio doentinho, com diarreia, e a recepção do Leopoldo também não foi das mais calorosas. Resolvemos mantê-los separados. Nos dias seguintes o alarme soou e optamos por fazer um test de FeLV nele. Foi aí que um tornado passou aqui em casa.

Quando o primeiro teste deu positivo e a veterinária que vinha cuidando do Leopoldo não soube nos orientar a respeito, tivemos que buscar ajuda. Uma colega do mestrado me indicou a veterinária que cuidava dos gatos FeLV positivo da mãe dela. Tivemos que retestar o Teodoro e testar o Leopoldo via PCR, vacinar o Leopoldo com duas doses da quíntupla felina e manter uma quarentena que durou uns 2 meses, com o Teodoro no quarto e o Leopoldo no resto da casa. O Rafael dormindo como um mendigo com o Leopoldo na sala e eu sozinha na cama de casal com o Teodoro. Sim, foi turbulento. Pra piorar tudo o filhote maldito mijava em tudo. Ainda bem que uso protetor de colchão impermeável. Mas foi puxado.

Castramos o Teodoro em novembro (com sucesso!) e uma semana depois eles foram liberados pra conviver. Quem olha a minha casa hoje, com dois gatinhos fofinhos e super parceiros tocando o terror em dupla, não imagina como foi passar por tudo isso. Retrospectivamente, até que não foi tão difícil. Mentira. O dia que o exame de positivo confirmou a FeLV do Teodoro eu cai no choro, sentei no chão e chorei muito. Li relatos muito tristes sobre a doença. Não foi fácil aceitar que aquele filhote teria que passar por tudo isso. Mas no fim, eu e o Rafael assumimos o desafio de ter que aprender a lidar com tudo isso juntos, também. O Teodoro continua positivo, mas está assintomático e vamos fazer o possível para mantê-lo assim. No fim, é um jeito de aprender a lidar com coisas que não temos como controlar. Gatos FeLV+ também merecem um lar. Meu gordinho ronronador vive colocando sorrisos no meu rosto e não me arrependo nem um pouco do dia que ele entrou aqui em casa.

Enquanto tudo isso acontecia, o semestre andava a passos largos lá no PPGAdm. O Rafael começou a dar aula em duas universidades, isso com a agenda de cursos do semestre já fechada e com o processo seletivo do doutorado (no qual ele foi aprovado \o/) rolando.

Quando dezembro chegou, eu estava atolada de coisas pra entregar, e nenhuma vontade de continuar estudando. Estava completamente esgotada quando acabaram as aulas. Ah, aí fiz a minha planejada sexta tatuagem, as tais flores de cerejeira no braço direito, com um amigo do Rafael de Londrina que veio pra cá. Daí veio Natal, final de ano… todas aquelas coisas. E eu só queria ficar em casa. Curtindo meu namorido, vendo filmes e seriados e brincando com meus filhos felinos.

Estamos em fevereiro e eu até já entreguei uns trabalhos, tive orientação pra qualificação e tô escrevendo um artigo pra submeter ao EMA 2016, ainda tentando assimilar tudo que rolou em 2015. No final do mês começa o meu estágio docência, e no final de março preciso entregar o bendito projeto de qualificação.

Dois mil e quinze foi um ano turbulento, e embora 2016 tenha começado parecendo uma continuação disso, juro que vou me esforçar pra fazer desse ano um ano mais leve. Tive um chefe que, apesar de ser meio ausente, me ensinou uma coisa importante, que preciso lembrar mais. Quando eu ligava pra reclamar, de qualquer coisa, a primeira frase dele sempre quebrava o meu modo reclamona e me fazia voltar umas três casas no jogo da vida. Como esse é o meu primeiro post de 2016, e não sei quando vou conseguir voltar a postar aqui, fica um recado pra mim mesma sobre quem-eu-quero-ser-esse-ano.

Já sei que tem algo errado, não precisa perder tempo me explicando tudo, vamos direto pra solução. O que precisamos fazer pra dar certo?