Construindo coisas: Mesa de centro

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Meus pais são de uma região rural do norte do Paraná, lá se conheceram, se casaram, se mudaram pra São Paulo e eu nasci. Ok, não foi necessariamente nessa ordem… Bom mas o que importa aqui é que esse fato da origem dos meus pais teve uma influência engraçada na minha relação com móveis, explico.

A maioria dos feriados e férias íamos para o norte do Paraná, pro sítio. Lá acabei acompanhando muitas obras em casas de madeira. Constrói, desmonta aqui remonta ali, tira uma parede, bota uma parede… E com isso restavam muitas sobras de madeiras, a maioria eram madeiras nobres peroba rosa, mogno ou cedro. O pessoal aproveitava as sobras pra fazer uns móveis: armários, baús, camas, mesas e bancos. Bem rústicos e tal, já que a maioria era feita com serrote martelo e pouco conhecimento de marcenaria. Mas eram mais legais que os móveis que a gente tinha em São Paulo. Eram do tamanho que as pessoas queriam, bem úteis e resistentes.

Com uns 8 anos eu ajudava meu tio-avô a fazer alguns bancos e mesas. Logo comecei a fazer meus próprios móveis, com uns 13 eu tinha furadeira, serrote, martelo e essas traquitanas. Mas logo entrei na adolescência e meio deixei essas coisas de lado. A idéia de fazer eu mesmo meus móveis só me veio a cabeça de novo quando fui morar com a Nayara. Eu queria uma mesa, mas o quarto que eu tinha era muito pequeno, então fui atrás de um tampo de MDF e fiz uma mesa do tamanho que eu queria e resolveu meu problema. Mas sempre ficava com a sensação de que as coisas MDF eram meio pasteurizadas, sem vida.

Foi então que com a lembrança dos móveis rústicos lá do sítio, de “madeira de casa” comecei a ter vontade de fazer alguns móveis de novo. No pinterest comecei a ver alguns projetos e também técnicas de marcenaria, somado a um pouco do 1º ano de design (que tinha muita coisa de produto) comecei a fazer algumas coisas, banquinhos, um móvel que serviu de paneleiro no apartamento antigo. Tenho feito alguns projetos no computador, mas poucos são executados. Geralmente eu faço eles quando vou pra casa dos meus pais. Por que serrar madeira no apartamento é um pouco complicado. Essa história toda foi só pra contextualizar esses projetos que vou mostrar aqui conforme eles forem sendo executados.

O primeiro da série é uma mesa de centro, faz algum tempo que queria alguma coisa pra apoiar os pés enquanto eu sentava no sofá, tá eu sei que uma mesa de centro não serve pra isso, mas é mais forte do que eu :P. Eu e Nayara sempre olhávamos algumas mas sempre faltou uma coragem de pagar R$500,00 numa mesa de centro, além de ser difícil achar uma minimamente bacana. Então comecei a esboçar uma e pensei em fazer algo com madeiras mais baratas, se desse certo mais pra frente eu faria uma versão melhorada com uma madeira melhor.

Como o previsto o protótipo ficou meio tosco, como não tenho muito “as manhã” tem alguns encaixes que ficaram meio estranhos e etc, mas no geral saiu mais ou menos como eu queria. E o processo serviu para aprender o que fazer pra sair certinho em uma próxima versão. Aí ela com o Leopoldo aprovando.

Aqui vou descrever um pouco de como projetei a mesinha:

1) Fiz um desenho bem aproximado do que eu queria no Illustrator, usando o efeito 3d que tem lá só pra ter uma noção do volume. Nesse esboço eu tinha uma idéia megalomaníaca de fazer um tampo de vidro, mas logo desisti da idéia.

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2) De novo no Illustrator dei uma refinada no projeto e fiz ele mais pé no chão, ou seja algo que eu conseguisse de fato fazer só com uma serra circular. Desenhei 3 vistas: O tampo, a lateral grande e a lateral pequena. As peças foram desenhadas separadas e montei o móvel no illustrator pra ver se tudo encaixava. Nesse ponto eu ainda não tinha definido as medidas só as proporções.

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3) Defini as medidas exatas tomando por base os móveis que iriam se relacionar com a mesa: o rack da tv e o sofá. Medi a altura do chão até o assento do sofá, deu uns 50cm. Aí medi o rack que tinha algo em torno de 1,60 e no illustrator fiz um desenho pra chegar numa largura que tivesse alguma proporção com o rack cheguei em 90cm.

2) Defini um orçamento de R$100,00 pra fazer a mesa. Liguei em um monte de lugares procurando pinus e encontrei um lugar aqui em Curitiba que se chama Ripas que vende só pinus. As madeiras que eles vendem tinham 3 metros e até 25cm de largura. Cada tábua ia dar uns R$20,00 já beneficiada (sem farpas, semi-lisa) aí calculando mais ou menos quantas peças eu ia precisar cheguei no número de 3 tábuas. Com o resto do dinheiro eu ia comprar parafusos, cola e tinta.

4) Fiquei quebrando a cabeça pra ver como ia encaixar tudo, por que além de ter precisar de um aproveitamento extremo das madeiras eu ia precisar que o pessoal da Ripas cortasse as tábuas em tamanhos de no máximo 100cm, para que eu conseguisse carregar no carro. Pra ver como cada peça ia sair de cada tábua fiz um plano de corte no illustrator.

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Numerei cada tábua com um código pra saber que peça iria onde na hora de montar a mesa e preparar cada peça, abaixo tem o diagrama com cada peça e seu código.

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5) Depois de tudo cortado, viajei 400km e chegando no sítio comecei a preparar minhas ferramentas. Pra cortar tudo certinho eu ia precisar de uma serra de bancada, como não tenho. Fiz uma adaptação com a minha serra circular, tem vários tutoriais por aí de como se faz isso. Cortei seguindo os planos, e deu tudo quase certo. Fiz alguns cortes errados, por falta de instrumentos de precisão (esquadros) e o acabamento ficou um pouco malacabado por falta de equipamentos de acabamento (lixadeira e plaina). Com um pouco de serragem corrigi algumas coisas e no fim saiu algo bem interessante.

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Acabei considerando essa um protótipo, e acabei gostando da cor de madeira e desisti de pintar. Como eu disse lá atrás, no futuro penso em fazer esse mesmo projeto mas com uma madeira melhor e com mais ferramentas pra evitar os erros. Fiquem com mais algumas fotos do Leopoldo inspecionando a mesa.

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Decor: As Luminárias da Sala

#o post mais aguardado do apê

Siiiim, finalmente vou compartilhar como fizemos as nossas luminárias com lâmpadas expostas da sala! A ideia de ter um blog com temas variados já rondava as nossas conversas faz um tempo, mas foi esse projeto que deu origem a ideia do blog, e meses depois, eis que estou escrevendo sobre ele! 😉 Mas antes, vamos ver o que a gente tinha?

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Não tenho foto do outro lustre antigo da sala, mas quando alugamos o Ap, ele veio com esses dois lustres trabalhados com filetes de vidro. O que ficava em cima da TV era esse mais simples da foto. Na outra parte, outro lustre no mesmo estilo mas com uma camada dupla de filetes. Estávamos tão empolgados com outros detalhes da casa nova (varanda, lareira, chão clarinho) que demorou um pouco pra gente realmente se importar e resolver dar um jeito na situação.

Esse apartamento tem um pé direito bem mais baixo que o último que a gente morou, então tínhamos uma limitação quanto aos estilos de luminária que poderíamos colocar. Ao mesmo tempo, já tivemos experiências meio frustrantes com spots direcionados no ap que moramos em Londrina e com plafons no outro ap aqui. A gente ama luz, e fazia questão de ter algo mais aconchegante. Mas não tínhamos budget pra investir nisso agora.

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Depois de pesquisar muito e juntar várias referências no Pinterest, acabamos decidindo entrar na modinha e ter luminárias com lâmpadas expostas (exposed bulbs) na sala! Vasculhei a internet inteira e encontrei uns modelos prontos bem legais pra comprar por aí, até orcei numa loja e quase compramos online! Mas daí o Rafael foi dar uma volta na Leroy Merlin enquanto eu estava viajando e encontrou esse kit branco da foto por menos de 20 reais.

Estava em SP trabalhando naquela semana, então ele chegou em casa e já instalou, mandando uma foto pra perguntar o que eu achava. Na verdade, o kit vinha com outro outro soquete e o Rafael gostou mais desse liso vendido avulso. Aprovei o resultado, mas achei o branco meio sem graça! E sempre pensei em ter mais de uma lâmpada na luminária em cima da mesa (afinal, a gente ama luz!)

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Resultado: spray amarelo e 3 soquetes! Amarelo é uma das cores que a gente escolheu pra aquecer a paleta da sala, que em breve vai ganhar uma parede cinza clarinho. Quero escrever mais sobre isso qualquer dia, mas eu e o Rafael somos loucos por móveis em diferentes tons de madeira então a nossa ideia principal é ter alguns tons que complementem isso.

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Tudo ia muito bem até a incompetência de alguém pra usar o spray, rs! Sim, manchou. Daí a gente tentou lixar e pintar de novo e manchou mais ainda, por ser de plástico. Não temos muito espaço pra isso aqui e todo esse processo foi realizado dentro de uma caixa na varanda, então era um pouco difícil manter a distância necessária pra usar o spray. O que fazer? Como proceder? Já não estava mais tão convencida com essa canopla em forma de cone como antes, lá pelas tantas comecei a achar que ficaria meio estranha para a ideia de ter 3 lâmpadas e tava esse projeto do Casa de Colorir na cabeça.

Fomos até uma Balaroti (mais perto de casa que a Leroy Merlin) e por R$14 compramos um daqueles spots de metal com a intenção de arrancar o spot e usar só a base. Procuramos uma bem lisa. Na ansiedade acabei não fotografando, mas era um spot com uma lâmpada bem simples. Desmontei e o Rafael usou a furadeira pra fazer os 3 furos para puxar os fios por dentro dela. Depois pintamos com 3 demãos de spray, tomando cuidado para não manchar de novo. Não ficou perfeito, mas adorei o resultado… Ah, no fim das contas, do kit original só usamos os fios, rs!

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O Rafael montou tudo certinho e colocamos essas lâmpadas econômicas decoglobo da Philips, que tem uma luz quente suave (não são tão amarelas) e são bem bonitinhas! Foi a parte mais cara do projeto todo, cada uma custou uns R$25, mas fiquei tão feliz com elas que até relevei. Não tinha muito como economizar nessa parte também, né?

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Umas semanas depois, criamos coragem e fizemos a outra luminária, com o que aprendemos nessa primeira. O mesmo fio, a canopla de spot (dessa vez sem furos) e o soquete liso pintados de amarelo. Já sabíamos que essa parte da sala seria mais simples, com um fio só, mas a ideia de fazer esses dois loops no teto veio depois, olhando pro fio. Como ele não queria parar quieto assim acabei usando dois grampos de roupa amarelo, mas juro que são provisórios, rs! É que trabalhar com fio, especialmente esses mais grossos, nem sempre é muito fácil, né?

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Mais um decoglobo da Philips e voilá! Nada mais de filetes de vidro e lustres retrô por aqui, rs. O resultado final dá pra ver no post com fotos da decor da sala.

* Sobre as luminárias antigas, elas foram cuidadosamente desmontadas e guardadas em uma caixa na dispensa. O Ap é alugado e precisamos ter o cuidado de devolver ele da mesma forma que alugamos… 😉